quarta-feira, 25 de novembro de 2009

o performer Wellington Júnior abre a Semana de Artes



Aberta dia 23 passado, às 14h, a Semana de Artes-Departamento de Artes-UFRN, englobando a III Semana de Teatro, a II Semana de Artes Visuais, a I Semana de Dança e a I Amostra de Design.
Houve a projeção do documentário O corpo na arte contemporânea (Fernando Cocchiarale e Viviane Matesco, 2005).

SOBRE O PERFORMER WELLINGTON JÚNIOR

Nivaldete Ferreira

A palestra - Corpo, comunicação e arte- ficou a cargo do prof. Dr. Wellington Júnior (UFC), que a complementou com um vídeo instigante e, mesmo, desnorteador para quem está preso a conceitos convencionais de arte. Relatos, memória emocional, agruras (re)experimentadas no corpo vivo, arte, não-arte? Catarse, a vida num 'segundo' ato, que é o 'primeiro', não faltassem atores essenciais, já idos?... A dor no moinho do re/fazer, ou trans/fazer sem trasncender -porque transcender é também esquecer-?
A língua como órgão de fala que, de repente, se oferece para que algo fale nela: o peircing-brinco- de-ouro com a primeira letra do nome da mãe... "G"... O dorso autolanhado com galho da mesma acácia com que o pai surrou o antes menino... O performer não se importa se Édipo anda por aí... Até admite (e se salva). E trata tudo como uma iniciação, algo religioso. "Hierofania", ele disse.
O corpo-significante nu -como todo significante?- preenchido de significados sagrados, referidos pelo oficiante, o performer. Nunca uma nudez foi tão amável e inocente. Em nada assemelhada à meia-nudez dos comerciais e à nudez inteira dos filmes eróticos (erróticos: de erro, de ótica errada). Surpreende por isso: porque é pura nudez pura.
E quando ele fala, fala a partir da polpa da palavra, não de sua casca ressecada.
E teve sangue. Sangue tem sentido ambivalente: nascemos dele/nele. Derramado em excesso, morre-se.

A arte derrama sangue, às vezes. Pouco. Assim não morre.
Inquietações restam.

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