quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Artes plásticas no Brasil: o figuratismo rejeitado?

Trecho de relato/reflexão crítica de Marcos Ribeiro- Ecce Ars-

"Com os mesmos R$ 150 mil com que se compra um quadro de Beatriz Milhazes, adquire-se um Di Cavalcanti (a obra Menina de Guaratinguetá, especificamente, como exemplo).
“Seja a obra boa, seja ruim, o que a coloca em evidência é o marketing. E dizer que o MoMA comprou é um marketing infalível. No Brasil, a empáfia cola”, crava o crítico Olívio Tavares de Araújo. A primeira coisa a ser lembrada nessa discussão, observa Araújo, é que houve um deslocamento de poder decisório do campo intelectual para o campo mercadológico."

Leia tudo aqui:
http://cartacapital.blogspot.com/

4 comentários:

VITORIANO disse...

Algumas conjeturas:
1. Não obstante a sempre presente discussão sobre a ascendência da crítica
sobre o produto artistísco (eu escrevi produto!), particularmente a de Greenberg
em relação ao expressionismo abstrato, o trabalho ártístico (eu escrevi trabalho,
logo estou considerando, aí, o artista) sempre foi mercadoria.
2. Os puristas que sofrem com essa repentina (?) virada do mercadológico sobre
o intelectual, devem urgentemente amplificar a discussão em torno da atualidade
("modernidade") desta situação a fim de estabelecer critérios apropriados que dêem
conta criticamente de uma arte imiscuída.
3. Quanto ao marketing, o MoMA como griffe inquestionável, Lebrun não seria
Lebrun sem a griffe de Versailles (aliás, criada por ele).

Sans perdre l'équilibre, malgré tout. disse...

Concordo com as afirmações do Prof. Vicente. Sabemos que artistas precisam se alimentar, comprar remédios, pagar suas contas básicas, e, não dá para fazer isso tudo sem ganhar dinheiro. Desde o tempo em que inventaram esta coisa que se chama "comércio", infelizmente ou felizmente - não sei, não só os artistas como todas as pessoas na face da terra, não têm outra saída senão se adaptar a ele para sobreviver; por isto existem as críticas, o marketing, os preços absurdos e injustos, as enrolações, as competições... me cansa até pensar! Fazer o quê, né?

nivaldete ferreira disse...

Acho essa discussão muito boa. E lembro o que diz Jorge Coli (O que é arte, col. Primeiros Passos): existe um estatuto da arte (não está escrito, lógico): a crítica, as galerias, o mercadológico, enfim toda a máquina no entorno da arte e do artista. E isso tudo vai mudando, com o tempo. O exemplo mais eloqüente é o velho e bom Van Gogh... Discutamos mais...

Marcos disse...

Crença absurda é hoje aceitar o mercado "homologar" o valor da obra de arte, hierarquizada por curadores, administradores de museus, fundações, investidores e até divulgadores que substituiriam os críticos e historiadores. Como reflete Arthur Danto: “O melhor curador, como o melhor publicitário, é aquele que sabe induzir demandas.É aquele que sabe inserir seu produto no mercado, que consegue convencer o mercado de que a arte hoje é isto e não aquilo. O curador, como o publicitário, é a peça –chave de um mundo onde já não pode haver oferta sem demanda.Entre os artistas, ele elege os que melhor correspondem à sua interpretação. Em outros tempos, não muito remotos, o verdadeiro artista seria, a rigor, aquele que não correspondesse a demanda nenhuma, que criasse ofertas inesperadas onde não havia demanda, que contrariasse os curadores. Se o que toda obra de arte sempre fez foi ‘exteriorizar’ uma maneira de ver o mundo, expressar o interior de um período cultural’”, conclui Danto: “o nosso é o tempo da conformidade mais absoluta”.
Com isso assistimos a decadência das artes até chegarmos à última bienal paulista, conhecida como “bienal do vazio”. Eu mesmo quando tive paciência de visitar esse circo de “intelectuais”, ao me deparar com aquele amontoado de toras de madeiras, não conseguia deixar de cochichar a mim mesmo as palavras de Horácio: “Para onde nos levam essas doidices?”, em outra oportunidade ao ver guarda-chuvas suspensos, era possível ver muitos maravilhados cochichar:” Mas onde é que ele quer chegar?”. Enfim chegamos ao verdadeiro impasse, ou a arte nega a negação da arte, ou alimentaremos nossas almas sempre dos mestres do passado.