quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Trecho de artigo de Afonso Romano de Santanna sobre arte hoje

"A maioria dos artistas chamados de “contemporâneos” caiu na armadilha que eles mesmos prepararam. Claro que alguns estão faturando bem os paradoxos. Há uma série de falácias em torno de certa arte em nossos dias. Primeiro, que tudo é arte, que todos são artistas. Segundo: não-arte e/ou anti-arte é igual à arte. Terceiro: negar a aura do museu e da galeria para entrar no museu e na galeria. Quarto: achar que só existe arte onde há transgressão e que transgressão por si mesma é arte. Quinto: dizer que a cópia é igual ou melhor que o original, que o original é descobrir uma coisa nova para copiar. Sexto: o efeito, o escândalo, a notícia sobre a obra é mais importante que a obra. Sétimo: a obra tem que causar “mal estar”.

Essas e outras questões fazem com que o conceito de arte, hoje totalmente vazio e indefinido, seja confundido com “pegadinha”, com “1º de abril”, com escândalo, qualquer happening e instalação. Tempos estranhos esses em que o simulacro do sujeito vale mais que o sujeito, em que o simulacro da obra vale mais do que a obra."

(Fonte: http://www.dilsonlages.com.br/cronicaviva_txt.asp?id=21)

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